Poesia em homenagem ao Dia de Proteção às Florestas (17 de julho)
Autoria de
Divita Castro
Membra do Grupo Amigos da AVALB desde 25 de setembro de 2022
e do Grupo AVALB desde 21 de abril de 2023
Fanal, Paraíso Perdido
©Divita Castro
Na minha terra, havia uma floresta encantada
Onde tudo era magia e deslumbramento
Mas tanto foi calcorreada
Que se transmutou da noite para o dia
Que se desfez o encanto num só momento.
A floresta do Fanal
Refúgio idílico e sonhador
Viu, afinal, a mão do homem
A destruí-la sem pudor.
Quando a visitei pela primeira vez
Vestia-se de um verde infinito
Do chão brotavam flores
Borboletas coloridas dançavam ao vento
E até os animais pareciam convidar-me para a brincadeira.
Voltei passados alguns anos...
E tudo havia mudado.
Onde antes havia musgo e verdura
Encontrei lama e desolação.
Os braços milenares das árvores
Jaziam tombados de cansaço
Vergados pelo peso
De quem nunca soube respeitá-las.
Aproximei-me de uma velha árvore
Como quem procura consolar uma amiga.
Encostei o meu coração ao dela
E baixei o meu olhar.
Foi então que o vi...
Um coração tombado no chão.
No tronco permanecia a sua marca
Como uma ferida aberta
Os meus olhos perlaram-se de lágrimas
E, com infinita ternura
Ergui aquele coração
E devolvi-o ao lugar de onde caíra.
Depois, abracei a árvore em silêncio
E quedei-me abraçada a ela durante largos instantes.
Quase juraria
Que ambas chorávamos
Porque sentíamos
Que a magia da nossa floresta se havia quebrado.
À guisa de despedida
Decidi que não mais voltaria
Àquele paraíso encantado.
Não porque o tivesse deixado de amar
Mas porque me fere a alma assistir
Impotente
À lenta agonia de uma floresta
Que continua a morrer
Às mãos daqueles que nunca compreenderam
Que destruir a Natureza
É destruir história e património...
Em suma, é destruir uma parte de nós próprios.
©; Divita Castro; "Fanal, Paraíso Perdido"; Madeira-PT; 17/07/2026.



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