Neste ato, realizado no dia 20 de dezembro de 2025, a partir das 14h na página da AVALB — Academia Virtual de Autores Literários do Brasil sitiada no Facebook, através de sua representante/Fundadora Valéria L., dá-se posse ao poeta JACOB KAPINGALA, como ACADÊMICO EFETIVO, ocupando a Cadeira n° 8, tendo por patrono o poeta ANTÓNIO JACINTO, ambos de nacionalidade angolana, ressaltando-se que, o acadêmico a ser empossado é nacional e residente em país Lusófono, e ACADÊMICO CORRESPONDENTE oriundo de Angola, portanto capacitado a efetivação.
Em sequência, apresentamos:
1- Biografia do Acadêmico;
1.1- Poesia do Acadêmico;
2- Panegírico do Patrono — António Jacinto;
2.1- Poesia do Patrono.
1- Biografia do Acadêmico
Jacob Kapingala, nasceu aos 17 de Junho de 1997, na província do Huambo - Angola, passando a residir na cidade de Luanda a partir do ano de 2003. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.
É escritor e poeta com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.
O desejo de colocar em um papel aquilo que pensava, somente ganhou força em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia. Até ao momento não tem nenhuma obra literária publicada.
É académico da CILA - Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP - Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.
1.1- Poesia do Acadêmico
MEMÓRIAS À BEIRA DE UM RIO
Hoje eu lembrei-me do tempo que a gente,
Ficava lá sentado observando em silêncio,
A calmaria daquele adorável e querido rio.
E a recordação foi como uma brisa refrescante.
Percebi finalmente que uma recordação,
Tem a mesma imensidão,
Que a de um rio, e não é mera ilusão,
Pois consigo senti-la no meu coração.
Lembro-me como se hoje fosse,
Nós dois ouvindo atentamente,
E com o rio conversando alegremente,
Dizendo-lhe tudo que nos apetecesse.
Hoje eu vivo esta recordação por nós dois.
Na esperança de que onde quer que estejas,
Consigas ouvir a minha silenciosa voz
Dizendo: espero que te protejas.
Jacob Kapingala
2- Panegírico do Patrono — António Jacinto
António Jacinto do Amaral Martins ou simplesmente António Jacinto nasceu a 28 de setembro de 1924, em Golungo Alto. Fez o curso do liceu em Luanda e trabalhou como empregado de escritório. Não contando com os anos de prisão fora do seu país, viveu praticamente toda a sua vida em Luanda.
Em 1948 tornou-se um dos fundadores do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (MNIA), que utilizava como canal a revista Mensagem para denunciar as condições sociais e econômicas impostas pelo colonialismo aos angolanos.
Foi fundador, com Viriato da Cruz, Ilídio Machado, Mário António, Lúcio Lara, Mário Pinto de Andrade e Joaquim Pinto de Andrade, do Partido Comunista Angolano, importante agremiação de mobilização marxista e nacionalista da década de 1950 que foi base formadora do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Após a prisão de Ilídio Machado, o primeiro Presidente do MPLA, ficou incumbido pelo presidente interino Mário de Andrade a coordenar as atividades operacionais do MPLA em Luanda juntamente com Manuel Pedro Pacavira e Joaquim de Andrade.
Foi preso, no ano de 1962, por suas actividades políticas anticoloniais, ficando detido no Campo de Concentração de Tarrafal, em Cabo Verde, até 1972, quando foi transferido para Lisboa para cumprir 5 anos de regime em liberdade condicional.
Em 1973 fugiu de Lisboa e foi para Brazavile, onde voltou a tomar parte na luta anticolonial pelo MPLA. O partido o nomeou diretor inicialmente do Centro de Instrução Revolucionária (CIR) Calunga, na 2ª Região Político-Militar, e depois do CIR Binheco, nas Montanhas de Maiombe.
No pós-independência nacional, foi, entre 1975 e 1976, Ministro da Educação e, entre 1976 e 1981, Ministro da Cultura.
Neste ínterim, torna-se co-fundador da União dos Escritores Angolanos. Foi ainda, membro do Comité Central do MPLA.
Morreu em 23 de junho de 1991, em Lisboa.
Obras principais:
Poemas (1961)
Sobreviver em Tarrafal de Santiago (1985
Prometeu (1987)
2.1- Poesia do Patrono
Naufrágio
Minina piquena
que fugiu à escola
fez fuga pra brincar
Fez bonecas fez vestidos brincou
no chão à sombra do cajueiro
Apanhou cem reis
comprou jinguba
(já sabe tabuada
«um e um dois dois e um três»)
subiu aos paus,
correu cantou dançou
foi atrás dos soldados a marchar
Foi à praça roubou cola
foi à praia tomou banho
pediu um doce ao doceiro
e na venda da Baixa olhando uma boneca grande
sonhou com muito dinheiro
Viu a patroa de mamãe lavadeira andar a escolher coisas
e ora triste ora prazenteira
correu saltou brincou livre como os passarinhos
olhando tudo tão diferente do Musseque
sem cães vadios sem casas de chapa
nem porcaria nos caminhos
Minina piquena
que fugiu à escola
fez fuga pra brincar
Brincou brincou brincou
sem ódio nem raiva
cheia de enganos
agarrada à boneca suja de trapos
... tem onze anos
só sabe rir cantar saltar
brincar brincar brincar
Minina piquena
que fugiu à escola
... um dia
há-de amadurar tristemente cedo à luz radiosa do sol quente...
... às mãos impuras da rua.
António Jacinto, in Poemas (1961)
Diploma de Posse



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