27 outubro 2024

Posse Acadêmica: BigaM / Patronesse: Noémia de Sousa


Neste ato, realizado no dia 27 de outubro de 2024, a partir das 13h na página da A.V.A.L.B. — Academia Virtual de Autores Literários do Brasil sitiada no Facebook, através de sua representante/Fundadora Valéria L., damos posse ao poeta e escritor BigaM, como ACADÊMICO EFETIVO, ocupando a Cadeira n° 6, tendo por patrona/patronesse a poetisa Noémia de Sousa, ambos de nacionalidade moçambicana, ressaltando-se que, o neo  acadêmico é empossado na qualidade de ACADÊMICO CORRESPONDENTE oriundo de um dos nove países membros da comunidade lusófona, portanto capacitado à efetivação.


Em sequência, apresentamos: 

1- Biografia do Acadêmico;

1.1- Poesia do Acadêmico;

2- Panegírico da Patronesse — Noémia de Sousa;

2.1-  Poesia da Patronesse.


1- Biografia do Acadêmico:


Gabriel Sérgio M’swache, conhecido pelo  pseudônimo: BigaM, é natural de Lichinga, Província de Niassa em Moçambique, nascido no dia 6 de abril de 2000, sendo seus pais Jorge Mussuache e Angelina Ana João.  Atualmente residindo em Maputo, é estudante do curso de Ciências de Tecnologia de Alimentos.


Sendo um apaixonado pela artes, iniciou através da escrita, o que  ampliou seus horizontes para exercer as funções de ator, poeta e escritor.


Profundamente envolvido com o ativismo  social, fundou a Associação Humanitária Tafika em 27 de setembro de 2022.


Entre outros trabalhos literários, participou nas Antologias:


— Sonhos de Natal;

— Passarela;

— Raiz do Futuro Ameaçado;

— Aniversário da Editora Esperança 2024;

— O Som do Amor. 


1.1- Poesia do Acadêmico:


"Sentimentos"


Os sentimentos compõem

A música da minha vida 

Porque quando despidos,

Formam os versos que

Encabulam e encantam as 

Nossas almas neste Universo.


BigaM, 09/08/23. 


2- Panegírico da Patronesse — Noémia de Sousa


Noémia de Sousa (Carolina Noémia Abranches de Sousa) nasceu em 20 de setembro de 1926, em Catembe, Moçambique. Morou nesse distrito até os seis anos de idade, quando foi viver em Lourenço Marques (atual Maputo). Antes, porém, com quatro anos de idade, aprendeu a ler e escrever com seu pai, um funcionário público que valorizava o conhecimento e a literatura.


Com oito anos de idade, a poetisa ficou órfã de pai. A mãe dela, então, precisou sustentar, sozinha, os seis filhos. Além dessa perda, a menina também precisou enfrentar o preconceito racial e, como relata a própria autora em uma entrevista, foi ridicularizada por um homem branco por estar lendo um livro, quando tinha aproximadamente dez anos de idade.


O fato de ter sido alfabetizada por seu pai foi um diferencial na vida da autora, pois, na época, as pessoas negras em Moçambique não tinham acesso à educação. E, apesar de Noémia ter conseguido ingressar em uma escola, segundo a própria escritora, ela era a única pessoa negra na instituição.


Mais tarde, com dezesseis anos, depois de trabalhar durante o dia, a escritora estudava, à noite, na Escola Técnica, onde cursava Comércio. Além disso, publicou seu primeiro poema — "Canção fraterna" — no Jornal da Mocidade Portuguesa. Escreveu também para o semanário O Brado Africano.


Ela assinava seus textos apenas com iniciais e acabava surpreendendo aqueles que descobriam ser ela a autora. Assim, sua participação no Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUDJ), suas amizades com certos intelectuais, além de seus textos e pensamentos considerados subversivos, levaram a autora a ser monitorada pela Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE).


Por isso, em 1951, ela exilou-se em Lisboa. Ao sair de Moçambique, encerrou sua carreira como poetisa. No entanto, em 1986, escreveu um poema em homenagem ao presidente moçambicano Samora Machel (1933-1986), por ocasião de sua morte, intitulado 19 de Outubro.


Antes, porém, em 1962, ela casou-se com o poeta Gualter Soares, com quem teve uma filha. E, por volta de 1964, fugindo da ditadura em Portugal, foi viver na França, onde trabalhou como jornalista. Mas, em 1973, voltou a Portugal e passou a trabalhar na agência Reuters.


Apesar de a autora não ter livros publicados, seus textos poéticos eram famosos e divulgados a partir da publicação de antologias de poesia moçambicana. Desse modo, Noémia de Sousa, por sua obra literária e suas ideias, era bastante conhecida quando morreu em 4 de dezembro de 2002, em Cascais.


2.1-  Poesia da Patronesse:


Apresentando a prosa e a poesia de Noémia de Sousa, epíteto: "Mãe da Literatura Moçambicana".


2.1.1- 1ª obra. Trecho.


"Negro não tinha acesso a essas escolas,

à instrução pública! O negro só quando assimilado é que tinha acesso. Quando eu estudei era numa escola muito grande, não havia um único negro. (…) Negro tinha de ser assimilado, de ter um documento passado pelas autoridades a dizer que vivia como um branco: comia numa mesa, não comia no chão, na esteira, dormia numa cama, etc., falava português, quer dizer: estava assimilado à cultura portuguesa."


                    Noémia de Sousa


2.1.2- 2ª obra. Poema


Basta! 

Noémia de Sousa


"Bates-me e ameaças-me

Agora que levantei minha cabeça esclarecida

E gritei: "Basta!" (…) 

Condenas-me à escuridão eterna

Agora que minha alma de África se iluminou

E descobriu o ludíbrio  

E gritei, mil vezes gritei: – Basta!

Armas-me grades e queres crucificar-me

Agora que rasguei a venda cor-de-rosa

E gritei: "Basta!"

 

Condenas-me à escuridão eterna 

Agora que minha

alma de África se iluminou 

E descobriu o ludíbrio...

E gritei, mil vezes gritei: – Basta! –


Ò carrasco de olhos tortos,

De dentes afiados de antropófago

E brutas mãos de orango:


Vem com o teu cassetete e tuas ameaças,

Fecha-me em tuas grades e crucifixa-me,

Traz teus instrumentos de tortura

E amputa-me os membros, um a um…


Esvazia-me os olhos e condena-me à escuridão eterna… 

– que eu, mais do que nunca,

Dos limos da alma,

Me erguerei lúcida, bramindo contra tudo: Basta! Basta! Basta!"





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